quinta-feira, 18 de julho de 2013

Nota fiscal em papel com os dias contados

O contribuinte irregular estará sujeito a Ação fiscal e ao pagamento de multa, 100% sobre o valor do ICMS devido 

Termina na próxima segunda-feira, 15, o prazo para a utilização de notas fiscais em papel de venda a consumidor sem selo, modelo 2. A partir do dia 16 de julho, as empresas do Varejo só poderão emitir notas com selo fiscal. Os irregulares estarão sujeitos a penalidades que incluem Ação fiscal e o pagamento de multas.

Conforme o que determina a Resolução nº 17/2013-G da Secretaria de Estado da Fazenda do Estado do Amazonas (Sefaz-AM), as notas fiscais sem selo, não emitidas, deverão ser inutilizadas pelo contribuinte, que deverá informar o procedimento à secretaria por meio de “Declaração de Inutilização de Documentos Fiscais”, assinada pelo representante legal e encaminhada à Gerência de Documentos Fiscais (GDFI).

De acordo com o órgão, o contribuinte poderá solicitar autorização para a impressão de notas fiscais em papel de venda a consumidor, modelo 2, com selo fiscal de autenticidade até o limite de 250 notas ao ano. Em casos excepcionais, a secretaria pode conceder um limite maior de impressão de notas desde que o contribuinte justifique a necessidade.

Em 2012, a Sefaz autorizou a emissão de 3.148.700 notas fiscais modelo 2. Até junho deste ano, foi liberada a impressão de 1.193.450 documentos deste tipo. Do universo de empresas do comércio varejista ativas, 34.034, apenas 5.883 utilizam o Emissor de Cupom Fiscal (ECF), para respaldar as operações comerciais. As demais, ainda adotam as notas em papel.

A secretaria estima que o número de empresas usuárias dos talonários convencionais caia progressivamente com a divulgação intensiva das vantagens da Nota Fiscal Eletrônica para Consumidor Final, NFC-e. Ainda no segundo semestre deste ano, a Sefaz inicia uma campanha em vários veículos de comunicação para que o contribuinte adote a (NFC-e) no lugar da nota em papel e do ECF.

Os contribuintes ganham com a redução de gastos, já que não será preciso adquirir Emissor de Cupom Fiscal, ECF, que custa em torno de R$ 3,5 mil. O consumidor final poderá armazenar os dados da compra contidos no QR Code (código bidimensional) direto no seu smart phone ou tablet, podendo realizar a consulta do documento na página da Sefaz e emiti-lo a qualquer momento.

O Estado também se beneficiará da massificação do uso da NFC-e. A informação da venda é enviada para a Secretaria de Fazenda logo que a operação é efetivada, garantindo o recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O secretário de fazenda acredita que o emprego da ferramenta será responsável por 5% de aumento na arrecadação do Amazonas em 2013.

Empresas terão troca isenta de taxa

A Secretaria da Fazenda informou ainda que dispensará a cobrança do pagamento de taxa para a impressão dos talonários selados em substituição aos que foram inutilizados por não conterem o selo fiscal.

O contribuinte terá de arcar apenas com as despesas gráficas. As demais liberações seguirão as regras em vigor desde o dia 1º de junho passado. Todas as notas fiscais modelo 2 terão, obrigatoriamente, de apresentar o selo fiscal. A gráfica responsável deverá entrar com a solicitação no setor de protocolo da secretaria de liberação de talonário de nota fiscal e pagar a taxa pela entrega do selo numerado, que é de R$ 20,00 por talão.

As notas impressas e seladas deverão ser apresentadas no setor Econômico-Fiscais (Deinf), onde serão homologadas. Somente após esse procedimento, as notas ficais poderão ser utilizadas. As notas sem selo serão consideradas inidôneas a partir do dia 16 de julho.

Parcela do IPTU

Nesta quarta-feira (10), vence a terceira parcela do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para os contribuintes que optaram pelo pagamento parcelado. Vale lembrar que o pagamento em dia evita multas e juros acrescidos na parcela.

Caso o contribuinte não tenha em mãos a notificação enviada via Correios, a segunda via da guia de pagamento do IPTU pode ser emitida diretamente no portal da Semef (http://semef.manaus.am.gov.br).

As guias podem ser pagas nos bancos autorizados: Bradesco, Bando do Brasil, Caixa, Itaú, Santander, Correios e Loterias. Mais informações podem ser obtidas pessoalmente no atendimento do Manaus Fácil, localizado na Rua Japurá, 488, Praça 14, ou nas bases de qualquer Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC).
 
Fonte:  classecontabil.com.br/noticias/ver/18569

quarta-feira, 17 de julho de 2013

MP dos Médicos receberá emendas no Senado

Oposição ao governo federal critica Programa Mais Médicos e diz que apresentará alterações na Medida Provisória


O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) anunciou em Plenário nesta segunda-feira (15) que apresentará emendas à Medida Provisória 621/2013, a chamada MP dos Médicos. A proposta, enviada ao Congresso Nacional pela presidente Dilma Rousseff, cria o Programa Mais Médicos, com a finalidade de atrair recursos humanos da área médica para o Sistema Único de Saúde (SUS). 

Para o parlamentar, a medida é uma demonstração da “absoluta incapacidade” do governo de resolver problemas cruciais do País. Ele classificou como “desatino” a decisão do governo de equacionar o problema da saúde por medida provisória, obrigando os estudantes de Medicina de universidades públicas a trabalharem dois anos no SUS, com o que chamou de “auxílio mágico” de médicos estrangeiros.

O senador citou ainda declarações do médico Fernando Rivas, representante do Conselho Geral do Colégio de Médicos da Espanha e responsável por negociar com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a vinda de médicos espanhóis ao Brasil. Rivas explicou que o conselho estuda a parceria, mas quer garantias de trabalho para os profissionais, como saber as reais condições de infraestrutura dos hospitais em que esses médicos serão lotados – com detalhes sobre número de leitos, quantidade de funcionários, recursos e acesso a remédios.

Para o conselheiro, os médicos espanhóis “não serão a solução” para os problemas da saúde no Brasil e haveria o temor de que a medida para atrair profissionais estrangeiros tenha meta “mais direcionada às eleições do que a resolver a questão da saúde”.

“Quero afirmar que estamos preparando emendas à MP, na tentativa de alterar o conteúdo desta medida que não consideramos solução para os problemas de saúde do Brasil”, disse.

Por Agência Senado.

ePrimeCare lança plataforma de medicina preventiva online

ComuniCare usa ferramentas de interação social para promover práticas de prevenção de doenças e de estímulo à saúde


Será lançado na próxima quinta-feira (18) no mercado brasileiro o ComuniCare, plataforma tecnológica online cujo objetivo é dar suporte a ações de prevenção em saúde. A solução, desenvolvida pela mineira ePrimeCare, atende ao que a empresa considera uma demanda crescente do setor público e das operadoras de saúde privadas por ações de conscientização sobre a importância de uma vida mais saudável.

O lançamento da plataforma será no Seminário Nacional Unimed de Medicina Preventiva, nos dias 18 e 19 de julho, em São Paulo. 

Segundo a fabricante, o ComuniCare permite levar ao usuário vídeos, textos, fóruns moderados por profissionais e outras ferramentas que estimulam uma melhora na saúde das pessoas a nível populacional, ao mesmo tempo em que ajudam as empresas de saúde a diminuírem custos e riscos. A abordagem preventiva reduz os custos do tratamento em média sete vezes frente a procedimentos iniciados tardiamente, como no caso do câncer, diz Leonardo Florêncio, CEO da ePrimeCare.

O ComuniCare promete atuação em escala populacional na promoção da saúde por meio de orientação personalizada, esclarecimento de dúvidas, interação entre usuários, moderação social e uma grande biblioteca de educação em saúde. Também atua como uma ferramenta em rede para aproximar clientes e fortalecer a marca das instituições.

Com o novo produto, a ePrimeCare espera crescer e faturar cerca de R$ 60 milhões nos próximos 5 anos.

Por: Saúde Web.

Estudantes brasileiros de medicina passarão pelo Revalida

Teste servirá para adequar nível de exigência do exame aplicado a médicos graduados no exterior; CFM critica intenção do INEP


Estudantes brasileiros que cursam o sexto ano de medicina farão o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida) ainda em 2013. A prova é feita por médicos com diploma estrangeiro que queiram atuar no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a prova não será obrigatória e será feita de maneira amostral.

O teste servirá para avaliar se o Revalida está dentro das diretrizes curriculares do Brasil. A intenção é que estudantes de escolas de medicina públicas e privadas participem do exame voluntariamente. Eles farão o mesmo exame, no mesmo dia dos estudantes com diploma estrangeiro. A prova será aplicada a brasileiros inicialmente apenas neste ano.

O Revalida foi criado em 2011 e é aplicado uma vez por ano, em duas etapas. A primeira, uma avaliação escrita – composta por uma prova objetiva, com questões de múltipla escolha, e uma prova do tipo discursiva. Na segunda etapa, avaliam-se as habilidades clínicas.

Entram na avaliação conteúdos e competências das cinco áreas de exercício profissional: cirurgia, medicina de família e comunidade, pediatria, ginecologia-obstetrícia e clínica médica. Além disso, o exame estabelece níveis de desempenho esperados para as habilidades específicas de cada área.

Antes do Revalida, cada instituição de ensino superior estabelecia os processos de análise da correspondência curricular, seguindo a legislação de revalidação de diplomas prevista no país.

O exame é conhecido pelo alto grau de dificuldade. No ano passado, o índice de aprovação variou entre 6,41% de aprovação entre estudantes bolivianos e 27,27% de aprovação entre os venezuelanos. Os brasileiros com diploma estrangeiro também são obrigados a fazer o exame para trabalhar no país – o índice de aprovação deles no ano passado, 7,5%, foi inferior ao de 2011 (7,89%).

Desnecessário

Para o Conselho Federal de Medicina (CFM), não há necessidade de reavaliar o Revalida. “O Revalida foi exaustivamente estudado e não é rigoroso. É minimamente necessário para avaliar a condição do exercício da medicina por um aluno que sai da escola”, avaliou o vice-presidente do CFM, Carlos Vital.

Para Vital, não há dúvidas sobre a adequação do exame, e quem não passa, não tem condições de exercer a medicina. Ele não afasta a possibilidade de que este movimento venha para diminuir o rigor da prova. Vital propõe, que, em vez de reavaliar o teste, que sejam estabelecidos três exames ao longo do curso de medicina, para avaliar o progresso do aluno e também a qualidade da faculdade.

O Inep nega que haja intenção de diminuir a rigidez ou a qualidade do exame. Segundo a assessoria de imprensa, não é possível falar ainda em alterações no Revalida, “somente com os resultados em mãos [do desempenho dos estudantes brasileiros] poderemos verificar se o instrumento é adequado às diretrizes curriculares do Brasil”.

CONVIVÊNCIA NO TRABALHO



Até pouco tempo, era comum profissionais trabalharem em espaços separados. Porém, atualmente, a tendência é compartilhar o local com outras pessoas, o que, embora promova a integração da equipe, pode gerar conflitos.

No tocante à convivência, hábitos pessoais tendem a entrar em conflito, e não são raras as reclamações sobre organização da mesa, comida em local impróprio e celular com volume alto. Por isso, sugere-se que a equipe faça acordos internos e delimite regras para cada espaço, facilitando o convívio.

A decisão deve ser dos próprios profissionais que ocupam determinado espaço. A empresa pode até fazer recomendações, porém o mais importante é que todos devem concordar com o que foi combinado e praticá-lo.

Por: Blog da Ágilis RH

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Saúde Business Forum

O Saúde Business Forum é o principal encontro dos líderes do Setor da Saúde no Brasil. Serão 4 dias de relacionamento e oportunidades para a efetiva geração de negócios. Em um ambiente exclusivo e altamente propício para a interação entre todos os convidados, o Saúde Business Forum possui uma dinâmica diferenciada totalmente direcionada para o Conteúdo, o Relacionamento e os Negócios.
 


TARGET:

100 principais executivos (sócios-proprietários, presidentes, superintendentes, vice-presidentes e diretores) de toda a cadeia do setor da Saúde no Brasil (Hospitais, Operadoras, Cooperativas, Centros de Diagnósticos e Governo) com poder de decisão econômica e estratégica na realização de negócios. 

Inscrições:

 http://www.saudebusinessforum.com.br/participe.asp

SUS é espelho da desigualdade social brasileira, diz especialista

Para Cornelis Van Stralen, da UFMG, SUS corre o risco de se tornar um subsistema voltado à saúde da população de baixa renda.


Embora seu conceito seja elogiado no exterior, o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS), criado há 23 anos, ainda está longe de satisfazer os anseios da população. Os gargalos, as deficiências e os avanços do sistema serão debatidos em outubro durante o 2º Congresso Brasileiro de Política, Planejamento e Gestão em Saúde, que ocorrerá em Belo Horizonte.

Organizado pela Comissão de Política, Planejamento e Gestão em Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Segundo o presidente do evento, professor Cornelis Van Stralen, do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o evento deve propor uma agenda nacional para a saúde pública no Brasil.

Especialista em política, planejamento e gestão em saúde, Van Stralen faz um diagnóstico dos vícios que caracterizam o sistema da saúde no Brasil, como o seu caráter bifurcado, que faz com que o SUS seja, ao mesmo tempo, um subsistema para a população de baixa renda e um tipo de seguro para o setor privado. “Em relação aos procedimentos caros, por exemplo, os planos de saúde dão um jeitinho de o paciente ser atendido pelo SUS. O correto seria o SUS ser ressarcido pelos planos, mas faltam fiscalização e controle”, afirma.

Confira trechos da entrevista, concedidos ao Portal da UFMG:

O 2º Congresso Brasileiro de Política, Planejamento e Gestão em Saúde pretende propor uma agenda nacional para a saúde pública no Brasil. Quais são os principais itens dessa agenda?

O tema do Congresso é Universalidade, igualdade e integralidade da saúde: um projeto possível. Eu chamaria isso de um projeto necessário. O SUS corre o risco de se tornar um subsistema de saúde voltado para a prestação da atenção à saúde da população de baixa renda, ao lado de um sistema privado subjugado a interesses mercantis. O congresso tem o propósito de discutir a evolução do sistema de saúde com suporte da produção acadêmica na área de política, planejamento e gestão, por isso a agenda do evento engloba a participação da academia na montagem das estratégias para alcançarmos um sistema de saúde eficiente. 

Já se passaram 23 anos desde que o SUS foi oficializado por meio de uma Lei Orgânica. Por que ele ainda apresenta tantos problemas de gestão e funcionamento?

A Constituição de 1988 previa a implantação de um sistema universal, igualitário e integral. Mas a realidade é bem diferente. Quando o SUS surgiu, os especialistas imaginavam que chegaríamos a um sistema-modelo de saúde pública, mas eles ignoravam que um sistema de saúde privado já estava em franca expansão, tanto pela política do então Instituto Nacional de Assistência Médica Previdenciária de estimular empresas a criarem assistência médica para seus empregados quanto pela atuação de pequenos hospitais que lançaram “planos de saúde” para a classe média. Acabamos com um modelo altamente fragmentário e que espelha a desigualdade da sociedade brasileira. Sistema único pressupõe um modelo que serve a população inteira, para todos e para tudo. Mas o que temos atualmente é o SUS atendendo no nível de atenção básica, mas ainda sem a cobertura integral. Ao lado disso, temos o sistema privado, que deveria ser complementar ao SUS, mas cresceu tanto que não podemos mais chamá-lo de complementar. 

Qual o maior problema causado pelo crescimento da saúde privada, que é realizada pelos planos de saúde?

A saúde está virando um negócio. O sistema privado é desigual, porque depende de quanto o associado pode pagar; há planos bons e ruins. Depende também do tamanho da empresa que sustenta o plano. Grandes corporações costumam ter planos melhores. Algumas empresas usam esse benefício para realizar controle da força do trabalho, pois se a pessoa adoecer ou sua familiar utilizar muito o plano, ela pode acabar sendo demitida. Por isso, empresários preferem os planos de saúde. Além disso, os sindicatos dos trabalhadores se dizem favoráveis ao SUS, mas negociam planos com as empresas. Estamos vendo crescer um sistema fragmentário que nega a saúde como direito e mantém a desigualdade social. 

Por que os planos de saúde também perderam qualidade ao longo dos anos?

Quando o SUS foi criado, a visão de muitas pessoas era de que tudo seria gratuito. Mas o SUS não tinha condições de começar a atender todo mundo repentinamente. Isso favoreceu as empresas de planos de saúde a ampliarem sua clientela e esse crescimento desenfreado fez com que a saúde privada não tivesse infraestrutura para atender os novos associados. Daí as reclamações sobre dificuldade para marcar consultas, realizar exames etc. 

O que faz com que um sistema de saúde seja de fato eficiente?

Um país baseado em cidadania deve oferecer saúde a todos, gratuitamente, ou com alguma forma de contribuição (como ocorre em alguns países da Europa, por meio de um tipo de seguro de saúde em que o cidadão paga uma parte e o governo outra). A concepção do nosso SUS é muito elogiada no exterior. Se funcionasse como planejado, seria algo exemplar. Um sistema eficiente seria aquele não fragmentário em que há a mesma atenção à saúde para o rico e para o pobre, indistintamente. 

Como o SUS é gerido?

O atual sistema de saúde no Brasil é bifurcado, público e privado ao mesmo tempo. Em relação aos procedimentos caros, por exemplo, o plano de saúde dá um jeitinho de o paciente ser atendido pelo SUS. Assim o SUS vira um tipo de resseguro: o plano de saúde assume o risco de um segurado precisar de procedimentos caros, mas na “hora h” transfere este paciente para o SUS. O correto seria o SUS ser ressarcido pelos planos, mas faltam fiscalização e controle. Aqui o sistema privado é mal regulado. Os diretores da Agência Nacional de Saúde, que deveriam fiscalizar o planos privados, costumam estar vinculados a planos de saúde e os empresários têm influência política. O SUS não financia campanhas de deputados, mas os planos financiam. Enfim, a questão de poder e a questão política acabam atrapalhando a evolução do SUS. Além disso, quase todos os procedimentos de médio e alto custo de diagnóstico são do setor privado, pois o SUS compra esses serviços e isso fica caro demais. A médio prazo temos que reverter esta situação em que o gasto privado supera o público. O governo precisa acabar com essa política ambígua de manter o SUS e, ao mesmo tempo, favorecer a expansão do setor privado de saúde. Mas não se melhora um sistema de saúde de repente. É preciso criar estratégias. Uma delas seria regionalizar o atendimento. 

Como assim?

É uma loucura ter um sistema municipalizado, porque há municípios com milhões de habitantes e outros com menos de mil que nem dão conta de manter uma equipe de saúde da família. Mas é difícil regionalizar devido à variável política, porque o prefeito de uma cidade pequena quer aparecer, quer fazer um hospital na cidadezinha dele, quer mostrar serviço. Mas o ideal da regionalização é ter uma rede de serviços com um hospital em uma das cidades e aquelas do entorno usufruírem dele. Há muitos obstáculos e às vezes retrocessos, mas temos que lembrar dos avanços do SUS. Por exemplo: o SUS é referência em atenção básica. 

O que é a atenção básica?

A atenção básica cuida da saúde das pessoas por meio de promoção, prevenção, tratamento médico e reabilitação. Uma gestante, por exemplo, não está doente, mas precisa de cuidados de pré-natal. Isso é atenção básica, ela cuida de problemas de saúde e, quando necessário, encaminha aos especialistas. A atenção básica é a porta de entrada da pessoa no sistema de saúde e falta médico para esse tipo de serviço no Brasil. Os médicos preferem não trabalhar em equipe de saúde da família ou em postos de saúde de atendimento básico, pois isso não é valorizado profissionalmente e os salários costumam ser menores. 

Na última semana, a presidente Dilma Rousseff anunciou o plano do governo de trazer médicos estrangeiros para suprir a carência nas regiões mais remotas do país. Isso seria uma solução?

As associações médicas são contra a vinda dos médicos estrangeiros até por uma questão de reserva de mercado. Existe um problema real com 10% de municípios sem médicos. Não vejo problemas em trazer médicos de outros países. Na Europa há muitos médicos estrangeiros, nos EUA também. Primeiro falam que é paliativo, porque onde não há médicos, não há infraestrutura, laboratórios etc. Mas dizer que o médico não pode fazer nada nesses lugares é invenção. Lógico que, para funcionar bem, infraestrutura ajuda bastante. É frustrante para o médico constatar que o paciente precisa de mais do que ele pode oferecer, mas um profissional nessas regiões afastadas, mesmo sem a infraestrutura ideal, já é capaz de fazer algo. 

E a validação do diploma desses médicos?

Essa questão é polêmica. O médico de fora pode não querer ficar nas cidades pequenas e afastadas, assim como o médico brasileiro não quer. Para evitar isso, ele poderia ser obrigado a ficar um tempo lá e depois eventualmente validar o diploma, se quiser migrar para outra parte do país. Há uma razão para validar o diploma. O médico de outro país é acostumado a tratar outros tipos de doenças. Um médico belga, por exemplo, precisa de alguma preparação para lidar com as chamadas doenças tropicais. Mas alegar que os médicos cubanos são todos ruins é um exagero, uma vez que Cuba tem um bom sistema de saúde. Se o sistema de saúde deles é bom, como os médicos podem ser tão ruins? E outra: será que nossos médicos passariam nos exames de revalidação aplicados aos profissionais estrangeiros? 

Sobre a falta de infraestrutura, como ela pode ser resolvida?

O Brasil tem um gasto significativo com saúde, mais de 8% do Produto Interno Bruto (PIB). A parte do dinheiro dos royalties do petróleo, que a presidente anunciou que será destinada à saúde, vai fazer diferença. O SUS sofre com falta de recursos humanos e de infraestrutura. Uma pessoa que fica do lado de fora de um posto de saúde esperando atendimento, em pé, na chuva, é a prova de que a deficiência de infraestrutura não é só de equipamentos, mas também física, de postos de saúde. Atendimento de qualidade também significa acolhimento digno, oferecer condições para que as pessoas possam se sentar numa sala de espera e ser recebidas como cidadãos. O sistema público de saúde precisa ser acolhedor e humanitário. 


Padilha vai à Espanha divulgar programa Mais Médicos

Espanhóis criticam falta de informações sobre cidades a serem atendidas, mas não negam interesse. São 3,3 mil profissionais desempregados no país.


O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, está na Espanha para divulgar o Programa Mais Médicos. A iniciativa prevê a contratação de profissionais estrangeiros para atuar em municípios do interior e nas periferias de grandes cidades, caso as vagas abertas não sejam preenchidas por profissionais brasileiros.

Segundo Padilha, a viagem faz parte de missões programadas pelo governo brasileiro para fechar acordos de cooperação técnica com universidades e com os ministérios da Saúde da Espanha e de Portugal. “Esses dois países sinalizaram que tem muitos médicos brasileiros que querem voltar ao Brasil e médicos de lá que têm interesse em participar [do programa] e atender no Brasil por um período, na atenção básica na periferia das grandes cidades e nos municípios do interior”, disse o ministro.

No entanto, segundo o Conselho Geral do Colégio de Médicos da Espanha, ouvido pelo jornal O Estado de S. Paulo, os médicos espanhóis não são a solução para o problema da saúde brasileira. Apesar do interesse em mandar profissionais para o País, integrantes do conselho espanhol dizem que vão cobrar explicações detalhadas sobre as condições de trabalho nas unidades de saúde brasileiras.
A promoção do Programa Mais Médicos em território espanhol começou na quarta-feira (10) em Santiago de Compostela. Segundo Mozart Sales, secretário de gestão do trabalho do ministério que está no país, a expectativa é atrair 7 mil médicos estrangeiros. Estão previstos encontros em Barcelona, Madri e, depois, Lisboa, em Portugal.

Fernando Rivas, responsável do conselho espanhol pela negociação com a delegação brasileira, diz que os dados apresentados pelo Ministério da Saúde sobre a realidade brasileira são muito escassos, e que a falta de informação pode afugentar os profissionais espanhóis. Apesar disso, o salário de R$ 10 mil proposto foi considerado “bom”.

Segundo Rivas, por causa da crise econômica enfrentada pela Espanha, nos últimos 12 meses cerca de 2 mil médicos deixaram o país e 3,3 mil estão desempregados.

* com informações da Agência Brasil e do jornal O Estado de S. Paulo

Mais Médicos: edital estará aberto para brasileiros e estrangeiros

Vagas serão ocupadas prioritariamente por brasileiros; estrangeiros deverão ter conhecimento em língua portuguesa e passar por curso de especialização em atenção básica.


O governo lançou nesta segunda-feira (8) o Programa Mais Médicos, que prevê a contratação de médicos para atuar na saúde básica em municípios do interior e na periferia das grandes cidades. O programa será criado por medida provisória assinada hoje pela presidenta Dilma Rousseff e regulamentado por portaria conjunta dos ministérios da Educação e da Saúde.

Para preencher as vagas, o governo vai lançar três editais: um para atração de médicos, outro para os municípios que desejam receber os profissionais e um terceiro para selecionar as instituições supervisoras.

A quantidade de vagas só será conhecida depois que os municípios apresentarem suas demandas, mas o governo estima que o número chegue a 10 mil.

O edital para médicos estará aberto a profissionais formados no Brasil e graduados no exterior, inclusive estrangeiros. As vagas serão ocupadas prioritariamente por médicos brasileiros, e os estrangeiros terão de comprovar conhecimento em língua portuguesa e passar por um curso de especialização em atenção básica. Os profissionais receberão bolsa federal de R$10 mil mensais, com jornada de 40 horas semanais.

Os médicos estrangeiros ficarão isentos de participar do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas (Revalida) e terão apenas registro temporário, para trabalhar no Brasil por período máximo de três anos e nos municípios para os quais forem designados. Os profissionais serão supervisionados por médicos brasileiros.

Os municípios terão que oferecer moradia e alimentação aos médicos, brasileiros ou estrangeiros, além de investir na construção, reforma e ampliação de unidades básicas.

A contratação de médicos integra o pacote de medidas para a saúde, lançado por Dilma no fim de junho em resposta às manifestações que pediam melhoria nos serviços públicos do país. O pacto pela saúde também prevê investimentos de R$15,8 bilhões para construção e melhoria de hospitais, unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) e unidades básicas de Saúde.

Por:  Luana Lourenço l Agência Brasil

Alunos de medicina terão que trabalhar no SUS

Parte do Programa Mais Médicos, medida é questionada por entidades de classe, que a consideram exploração de mão de obra.


Alunos que ingressarem em cursos de medicina a partir de 2015 terão que atuar dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS) para receber o diploma. A medida é válida para faculdades públicas e privadas e faz parte do Programa Mais Médicos, anunciado na segunda-feira (8) pelo governo federal. Com isso, o curso passará de 6 anos para 8 anos de duração.

Os estudantes irão trabalhar na atenção básica e nos serviços de urgência e emergência da rede pública. Eles vão receber uma remuneração do governo federal e terão uma autorização temporária para exercer a medicina, além de continuarem vinculados às universidades. Os profissionais que atuarem na orientação desses médicos também receberão um complemento salarial. Os últimos dois anos do curso, de atuação no SUS, poderão contar para residência médica ou como pós-graduação, caso o médico escolha se especializar em uma área de atenção básica. 

Com a mudança nos currículos, a estimativa é a entrada de 20,5 mil médicos na atenção básica. “Esse aumento será sentido a partir de 2022, quando os médicos estarão formados”, disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

De acordo com os ministérios da Educação e Saúde, as instituições de ensino terão que acompanhar e supervisionar o aluno. Após o estudante ser aprovado no estágio no SUS, a autorização temporária de exercício será convertida em inscrição no Conselho Regional de Medicina. Por haver recursos federais no programa, os alunos das escolas particulares deverão ficar isentos do pagamento de mensalidade. Esse trabalho na rede pública não acaba com o internato, no quinto e no sexto anos do curso.

Até 2017, a oferta de vagas nos cursos de Medicina terá um aumento superior a 10%. Com o programa Mais Médicos, serão abertas 3.615 vagas nas universidades públicas e, entre as particulares, devem ser criadas 7.832 novas matrículas.

O aumento deve ser sentido este ano, com a abertura de 1.452 vagas. Em 2014, serão 5.435, anunciou Mercadante. De acordo com o ministro, haverá uma descentralização dos cursos que serão instalados em mais municípios. A residência médica terá de acompanhar o ritmo de vagas abertas na graduação.
“Não basta abrir curso de medicina para fixar um médico em uma região que temos interesse para ter. É preciso residência médica, que é um fator decisivo para a fixação, além de políticas na área de saúde. Estados que têm oferta de residência médica, tem uma concentração grande de médicos, como Rio de Janeiro e São Paulo”, disse o ministro.

Segundo ele, haverá uma melhor distribuição dos cursos pelo país. Atualmente, 57 municípios oferecem cursos de medicina. Com o novo programa, mais 60 passarão a ofertar, totalizando 117 municípios no país. Isso acarretará, para as universidades federais, a contratação de 3.154 professores e 1.882 técnicos-administrativos.

Nas particulares, segundo Mercadante, não haverá mais a “política de balcão”, em que os institutos apresentam as propostas para a abertura de cursos. Agora, a oferta de cursos de medicina será definida por meio de editais públicos, de acordo com a necessidade do país. “Vamos verificar as áreas que têm condições e necessidade de ofertar vaga e lá ofertaremos”.

Críticas

Em comunicado distribuído pouco após a divulgação do programa do governo, entidades médicas nacionais – Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Medicina (CFM), Federação Nacional dos Médicos (FENAM) e Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR) – criticaram a ampliação do tempo de formação nos cursos de Medicina.

Segundo as entidades, trata-se de uma “manobra que favorece a exploração de mão de obra”. Os estudantes já realizam estágios nas últimas etapas de sua graduação, dizem, e depois passam de três a cinco anos em cursos de residência geralmente em unidades já vinculadas ao SUS.

Dilma sanciona Ato Médico com vetos a diagnóstico exclusivo

Artigo 4º, considerado o mais polêmico e que motivou protestos de diversas categorias da saúde, teve nove pontos vetados.


A lei que regulamenta o exercício da medicina, chamada de Ato Médico, foi sancionado pela presidenta Dilma Rousseff nesta quinta-feira (11), mas com vetos. O texto aprovado, que estabelece atividades privativas dos médicos e as que poderão ser executadas por outros profissionais de saúde, está publicado no Diário Oficial da União. [http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?data=11/07/2013&jornal=1&pagina=1&totalArquivos=352]

O Artigo 4º, considerado o mais polêmico e que motivou protestos de diversas categorias da saúde, como fisioterapeutas, enfermeiros e psicólogos, teve nove pontos vetados, inclusive o Inciso 1º, que atribuía exclusivamente aos médicos a formulação de diagnóstico de doenças. A classe médica considera que esse ponto era a essência da lei. Já para as demais categorias o trecho representava um retrocesso à saúde.

Pela lei, ficou estabelecido que caberá apenas às pessoas formadas em medicina a indicação e intervenção cirúrgicas, além da prescrição dos cuidados médicos pré e pós-operatórios; a indicação e execução de procedimentos invasivos, sejam diagnósticos, terapêuticos ou estéticos, incluindo acessos vasculares profundos, as biópsias e as endoscopias. Também será de exclusividade médica a sedação profunda, os bloqueios anestésicos e a anestesia geral.

Já entre as atividades que podem ser compartilhadas com profissões da área da saúde não médicas estão o atendimento a pessoas sob risco de morte iminente; a realização de exames citopatológicos e emissão de seus laudos; a coleta de material biológico para análises laboratoriais e os procedimentos feitos através de orifícios naturais, desde que não comprometa a estrutura celular.

Identificar talentos e lideranças é estratégia para crescer

Fascículo de junho aborda o desafio de gerir em um mesmo ambiente corporativo veteranos, baby-boomers e representantes das gerações X e Y.


Em 2013, o Saúde Business School traz como parceiro a Fundação Dom Cabral (FDC), que será responsável pelos fascículos mensais. O tema de junho foi: Identificar talentos e Lideranças é a estratégia para crescer.

INTRODUÇÃO…

Em nenhuma outra época na história das organizações, as pessoas com suas competências e talentos foram tão valorizadas como atualmente. De fato, se há um ponto em relação ao qual poucos se opõem é que, com o intuito de fazerem frente às transformações do atual mundo dos negócios, as organizações têm, crescentemente, necessitado de indivíduos talentosos e competentes. 

Para os estudiosos no campo isso se dá na medida em que fontes tradicionais de vantagem competitiva, tais como tecnologia e mão-de-obra barata, não mais se revelam suficientes para prover uma posição competitiva sustentável. Como decorrência, os indivíduos e suas competências passam a ser enfatizados como elementos centrais de diferenciação estratégica. Alguns chegam mesmo a afirmar que as organizações que agora concorrem entre si por clientes e mercados, em escala jamais vista, têm sido levadas a competirem também pelo recurso elevado à categoria de o mais importante de todos: o talento humano.

Se, por um lado, essa nova realidade traz à tona a importância da valorização do chamado capital intelectual e de se reconhecer a relevância das pessoas e seu desenvolvimento como fontes primordiais de vantagens competitivas sustentáveis; por outro lado, implica em novos desafios – e oportunidades – à gestão. Em particular, estimula aos líderes e gestores à construção de ambiências organizacionais – contextos capacitantes – em que os conhecimentos, habilidades e atitudes requeridas possam ser efetivamente mobilizados, constituindo-se como competências. 

Tais desafios se intensificam na medida em que as transformações em curso se fundamentam em processos de mudanças estruturais profundas, não somente em nível da dinâmica da economia e dos mercados, mas também nas dimensões sociais, demográficas, culturais e organizacionais. 

De fato, em nenhum outro momento pronunciou-se, de forma tão intensa, possibilidades como a de quatro gerações conviverem, simultaneamente, em um mesmo ambiente de trabalho. Progressos da ciência ampliam, continuamente, a expectativa de vida da população, assim como propiciam melhoras sem precedentes nos campos da saúde e prevenção de doenças, possibilitando a extensão do tempo de permanência no mercado de trabalho. Aposentadoria, portanto, não mais significa “vestir o pijama”, mas a possibilidade de novas trajetórias de carreira, como consultores, empreendedores, mentores, tutores ou mesmo a permanência como profissionais das próprias organizações a que se vinculam. Como resultado, não raro, já se observa, em mesmos ambientes laborais, veteranos, baby-boomers, representantes das gerações X e Y, mobilizando distintos talentos e atributos de competência. 

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Por: Saúde Web.

Em três anos, saúde foi área técnica que gerou mais empregos

Quase 100 mil postos de trabalho foram criados para técnicos de nível médio entre 2009 e 2012, segundo o Ipea.


Aproximadamente 402,5 mil postos de trabalho para técnicos de nível médio foram criados no Brasil entre 2009 e 2012, e os técnicos capacitados em ciências da saúde ocuparam a maioria das vagas, ou quase 100 mil. Os dados, oriundos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), integram um estudo divulgado na quarta-feira (3) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Em segundo lugar vieram os técnicos em eletroeletrônica e fotônica e em terceiro os técnicos em operações comerciais. Integram a estatística de vagas em saúde técnicos e auxiliares de enfermagem, técnicos em próteses ou imobilizações ortopédicas, técnicos em odontologia, técnicos em óptica e em optometria, e tecnólogos e técnicos em terapias complementares e estéticas. 

O salário médio desses técnicos aumentou de R$ 1.280, média de janeiro de 2009, para cerca de R$ 1.410 em dezembro de 2012 (ganho real de aproximadamente 10%). As ocupações com maiores ganhos salariais foram técnicos em operação de câmara fotográfica, cinema e televisão (+51,1%), técnicos de inspeção, fiscalização e coordenação administrativa (+41,6%) e técnicos em laboratório (+29,3%).

Por: Saúde Web.

Médicos estrangeiros serão avaliados por universidades brasileiras

Programa 'Mais Médicos para o Brasil' será lançado oficialmente nesta segunda-feira pelo governo federal.


O Programa “Mais Médicos para o Brasil”, que será lançado nesta segunda-feira (8) pelo governo federal, terá como prioridade levar profissionais de saúde às periferias das grandes cidades, aos municípios do interior e àqueles mais distantes, principalmente do Norte e do Nordeste. De acordo com a presidente Dilma Rousseff serão abertos dois editais: um para selecionar os municípios que querem receber profissionais e outro para que os profissionais brasileiros possam se inscrever e escolher a cidade para onde querem ir.

Caso as vagas disponíveis não sejam preenchidas por médicos brasileiros, o governo vai autorizar a contratação de estrangeiros.

A declaração foi dada por Dilma no programa semanal Café com a Presidenta. Segundo ela, trata-se de uma medida emergencial para garantir que essa parcela da população tenha atendimento “o mais rápido possível”. Dilma disse que o governo tem trabalhado para ampliar as vagas nos cursos de medicina, mas ressaltou que a formação de um especialista leva, em média, dez anos. A presidenta também enfatizou que a vinda de médicos estrangeiros não vai tirar emprego dos profissionais brasileiros nem significa arriscar a saúde da população.

Ela explicou que, entre os estrangeiros, serão contratados apenas médicos “bem formados, experientes, que falem e entendam” nossa língua. Eles deverão trabalhar exclusivamente nos postos de saúde, fazendo o atendimento básico da população, por pelo menos três anos. Eles serão supervisionados pelas universidades públicas no trabalho, que também os avaliará, por três semanas, antes do início das atividades. “Os médicos estrangeiros só vão ocupar as vagas que não forem preenchidas por médicos brasileiros. Daremos prioridade aos nossos médicos, aos médicos formados aqui no Brasil, que são altamente qualificados”, disse.

“Essa convocação de médicos para trabalhar nas regiões mais pobres de nosso país é a resposta que estamos dando para o problema da falta desses profissionais nas nossas unidades de saúde. Quem precisa de atendimento médico não pode esperar e é por isso que estamos autorizando a vinda de médicos estrangeiros. Trata-se de uma medida emergencial”, disse.

A presidente lembrou que a contratação de médicos estrangeiros é muito comum em vários países que têm “excelentes sistemas de saúde”, como é o caso da Inglaterra, onde 37% dos médicos se formaram no exterior. Ela também citou o caso dos Estados Unidos, onde 25% dos médicos fizeram cursos em outros países. Já o Brasil, conforme informou, tem apenas 1,79% de médicos estrangeiros.
Segundo Dilma Rousseff, os esforços para suprir a falta de médicos nos municípios mais distantes serão ainda mais necessários a partir dos investimentos que o governo vem fazendo para construir e reformar as unidades de saúde. Ela destacou que, além dos R$ 7,4 bilhões que já estão sendo aplicados, há previsão, para o ano que vem, de mais R$ 5,5 bilhões.

Ela enfatizou que para participar do Programa Mais Médicos para o Brasil e receber os profissionais, os municípios terão de assumir o compromisso de acelerar os investimentos na construção ou reforma das unidades básicas de saúde. Já em relação aos incentivos para que os médicos brasileiros queiram atuar nesses locais, ela destacou que o Ministério da Saúde vai pagar um salário de R$ 10 mil por mês, por uma jornada semanal de 40 horas.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

84% do tráfego de dados hospitalares são gerados por aplicativos

Os dispositivos móveis têm se tornado uma ferramenta indispensável aos profissionais de saúde. A dificuldade está em garantir que sua utilização seja feita de forma segura e adequada


Úteis para prescrever medicamentos, verificar histórico do paciente, interações medicamentosas, agendamentos, visualizar exames, entre outros, os dispositivos móveis estão rapidamente sendo inseridos no dia a dia dos hospitais e clínicas. As vendas de dispositivos como tablets, por exemplo, aumentaram cerca de 62% entre 2011 e 2012, segundo recente pesquisa da Manhattan Research nos países emergentes. 

O levantamento constatou que 38% dos médicos usam algum aplicativo médico diariamente e que 84% do tráfego móvel de dados dentro do ambiente hospitalar está sendo gerado por aplicativos e não por e-mail, nem browser. Entretanto, o estudo também mostrou que nenhuma instituição de saúde tem conhecimento de quais aplicações estão sendo usadas. 

Com 5 mil instalações em 30 dias, somente em aparelhos Androids, o aplicativo Medscape é exemplo de sucesso. A ferramenta provê acesso a conteúdos científicos, notícias do setor, congressos, cursos, catálogo de medicamentos, incluindo posologia, composição, efeitos colaterais, interações medicamentosas, de acordo com o tipo de especialidade e, ainda, manuais de procedimentos. De acordo com o presidente da Enterasys no Brasil, Reinaldo Opice, o FDA já regulamentou 75 aplicativos nos Estados Unidos. 

As redes sociais científicas são outro fenômeno que têm crescido e o uso desses dispositivos se torna imprescindível para a rápida troca de conhecimento entre os profissionais durante o trabalho. A comunidade online Sermo, por exemplo, voltada exclusivamente para médicos, possui 125 mil usuários com apenas seis meses de existência. 

Durante workshop sobre TI em Saúde do HCFMUSP, Opice, da Enterasys, mostrou que o Centro Médico da Universidade de Chicago obteve economia de tempo de três horas por dia em relação aos processos assistências depois de distribuir iPads a seus residentes. Além da constatação de diminuição de erros com medicação. 

Segundo ele, a estabilidade da rede wireless que suporta o tráfego de dados gerado pelo uso dos dispositivos é tida como um dos maiores desafios para a TI. Além disso, o executivo ressaltou a importância de se estabelecer mecanismos para identificar acessos indevidos às informações dos pacientes, assim como registros na rede e garantir que os recursos priorizem as aplicações que sejam críticas, como é o caso da telemetria. 

*Informações decorrentes do workshop sobre TI em Saúde do HCFMUSP, realizado no dia 27/06

Por Verena Souza

Ato Médico separa profissionais de saúde

Categorias se reuniram com Alexandre Padilha para tentar influenciar decisão de Dilma Rousseff, mas não houve consenso


Médicos e demais profissionais de saúde não se entendem a respeito do Ato Médico, como ficou conhecido o projeto de lei que regulamenta a medicina. Para os primeiros a proposta aprovada no Congresso é uma vitória, enquanto para as outras 13 categorias da área da saúde representa um retrocesso.

Todas as categorias da área de saúde estiveram no fim da tarde de quarta-feira (03) em reunião com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para levar suas demandas e tentar influenciar a decisão da presidente.

Os profissionais não médicos pedem que Dilma Rousseff vete alguns pontos da proposta. O principal ponto de divergência, do qual as 13 categorias da área de saúde não médicas discordam, é o Inciso 1º do Artigo 4º, que atribui exclusivamente aos médicos o diagnóstico de doenças, ponto que, para os médicos, é a essência da lei. 

“Se for aprovado o Ato Médico como está, quando você tiver querendo fazer uma reeducação alimentar, você vai primeiro ter que ir ao médico, antes de ir ao nutricionista. Se estiver angustiado, vai ter que primeiro ir a um médico, em vez de ir a um psicólogo”, disse Fernanda Magano, da Federação Nacional de Psicologia.

De acordo com Luiz Roberto d’Ávila, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), a população sempre vai ter liberdade de ir ao profissional que quiser. “As pessoas que querem procurar um fisioterapeuta, não vai ter médico na porta do consultório do fisioterapeuta impedindo ou denunciando o profissional”, disse d’Ávila.

Para Márcia Krempel, presidente do Conselho Federal de Enfermagem, a aprovação do Ato Médico na íntegra afeta principalmente a área de prevenção de muitos programas de saúde do governo. “Um dos incisos diz que todo procedimento abaixo da pele precisaria de prescrição médica, isso por analogia vai afetar a questão da vacina, então para vacinar você precisaria consultar um médico, caso o projeto seja aprovado”, alertou a enfermeira.

Para o presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Geraldo Ferreira, a questão da vacina não seria afetada. “[A vacina] é um procedimento técnico, [o que os enfermeiros estão falando sobre a vacina] é um conjunto de mentiras para deturpar a realidade.”

A lei que regulamenta a enfermagem diz que os profissionais podem diagnosticar e prescrever, desde que estas ações sejam designadas aos enfermeiros por meio de programas de saúde pública. Há programas prevendo que enfermeiros podem diagnosticar doenças como hanseníase, malária, tuberculose, entre outras. Para Ferreira, da Fenam, eles não estão preparados para isso.

Na avaliação das entidades médicas, o que muda com a proposta, que ainda vai passar pela avaliação da presidenta Dilma Rousseff, é que os médicos não vão mais admitir programas de saúde sem a presença de um profissional da medicina. Depois de reunião como o ministro da Secretária-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, Roberto d’Ávila disse aos colegas de profissão que está otimista e que acha que o projeto será aprovado na próxima segunda ou terça-feira. A presidenta tem até o dia 12 para vetar ou sancionar o projeto.

Hospital A.C. Camargo adotará Google Apps

Projeto, comercializado pela Dedalus, prevê 3 mil licenças que substituem Oracle Collaboration Suite usado pela instituição até o momento


O Hospital A.C. Camargo fechou um contrato com a Dedalus para adoção do Google Apps. O acordo contempla 3 mil licenças, que substituirão um sistema de mensageria e produtividade Oracle, utilizado pela instituição há 15 anos. A integradora prevê que o projeto de implementação da ferramenta leve cerca de 90 dias.


“Optou-se por essa tecnologia pelo fato dela oferecer uma gama de ferramentas importantes e também segurança e disponibilidade”, informou o gerente de TI do A.C.Camargo Cancer Center, Rafael Mauro de Lima, em e-mail.

De acordo com o executivo, o sistema do Google será implantado em todas as áreas da instituição, tanto de assistência como de ensino e pesquisa. A expectativa é que facilite a comunicação entre os profissionais.

A Dedalus, parceiro Google e Amazon, tem conquistado contas na vertical de saúde. O canal já comercializou soluções corporativas da gigante de buscas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, por exemplo.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Senado aprova 25% dos royalties do petróleo para a saúde

Após pressão do governo, texto sofre mudanças e retorna para aprovação da Câmara


O Senado aprovou na noite desta terça-feira (2) o projeto de lei que destina os royalties da exploração do petróleo no Brasil à educação (75%) e à saúde (25%). Alterado pelos senadores, o PL 323/07 retorna à Câmara, onde havia sido aprovado na quarta-feira passada (26).

O texto aprovado no Senado foi o substitutivo do senador Eduardo Braga (PMDB-AM). Pela proposta, serão destinadas exclusivamente à educação pública, com prioridade à educação básica e à saúde, as receitas dos órgãos da administração direta da União provenientes dos royalties e da participação especial, decorrentes de áreas cuja declaração de comercialidade tenha ocorrido a partir de 3 de dezembro de 2012, relativas a contratos celebrados sob os regimes de concessão, cessão onerosa e partilha de produção, quando a lavra ocorrer na plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva.

O texto também inclui as receitas dos estados, Distrito Federal e municípios provenientes dos royalties e da participação especial, além de 50% dos rendimentos dos recursos recebidos pelo Fundo Social, criado pela Lei 12.351/10. As receitas da União serão distribuídas de forma prioritária aos estados, Distrito Federal e municípios que determinarem a aplicação dos royalties e de participação especial com a mesma destinação exclusiva.

As receitas dos estados poderão ser aplicadas no custeio de despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino, especialmente na educação básica de tempo integral, inclusive as relativas a pagamento de salários de professores da rede pública, limitado a 60% do total.
A União, estados, Distrito Federal e municípios aplicarão os recursos oriundos do Fundo Social no montante de 75% em educação e de 25% em saúde. Dos recursos dos royalties e da participação especial destinados à União, provenientes de campos do pré-sal, 50% serão destinados à educação pública, até que sejam cumpridas as metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação (PNE), em discussão no Senado. Os outros 50% serão destinados ao Fundo Social.

A principal mudança que o Senado fez com o aval do governo, na avaliação do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, foi a destinação direta de 50% dos royalties do pré-sal para a educação, e não para o Fundo Social. Já a metade dos rendimentos do Fundo Social, e não de seu capital, como estabelecia o texto aprovado na Câmara, será distribuída na proporção de 75% para educação e 25% para a saúde.

Judicialização

Na avaliação de Eduardo Braga, o texto aprovado na Câmara poderia provocar questionamentos futuros, aprofundando a judicialização do debate sobre os royalties. Segundo ele, o substitutivo aprovado no Senado adequa a redação e coloca o texto em sintonia com a legislação atual. O relator também afirmou que o substitutivo incorporou algumas das 17 emendas apresentadas pelos senadores.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) considerou uma vitória a destinação integral dos royalties do petróleo para a educação e a saúde, mas disse que o País não deve “cair na ilusão” de que esse dinheiro vai salvar o ensino brasileiro. Por sua vez, o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) criticou a aprovação do substitutivo, depois de ter apresentado requerimento, derrubado em Plenário, que solicitava preferência de votação ao texto aprovado na Câmara.

A proposta na íntegra pode ser lida no sitecamara.gov.br.

Por Agência Câmara.

Protesto contra importação mobilizará médicos de 26 capitais

Entidades vão às ruas na quarta-feira contra medidas do governo, consideradas paliativas, e exigem soluções de longo prazo
 
Na quarta-feira (3), médicos, professores, residentes e estudantes de medicina promoverão uma série de protestos no País contra o que consideram baixos investimentos do governo federal na saúde pública e contra a chamada “importação” de médicos estrangeiros sem revalidação de diplomas. Segundo informado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a mobilização está programada em pelo menos 26 capitais.

Cada local terá uma forma específica de mobilização, mas no geral serão feitos atos públicos e passeatas, além de assembleias. O protesto, que inclui a suspensão do atendimento eletivo na rede pública em alguns municípios, não afetará os atendimentos de urgência e emergência. A organização das atividades está a cargo das entidades médicas regionais, incluindo CFM, Associação Médica Brasileira (AMB), Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR) e Federação Nacional dos Médicos (Fenam).

As entidades argumentam que as medidas anunciadas recentemente pelo governo são paliativas e não oferecem soluções de longo prazo. Alegam que o principal problema, o baixo investimento estatal em saúde, continuará sem solução.

Em Brasília, a concentração começa às 17h em frente ao Ministério da Saúde, na Esplanada dos Ministérios. Os manifestantes pretendem seguir até o Palácio do Planalto. No Rio de Janeiro a concentração na Cinelândia a partir das 10h, onde será realizado ato público.

O ponto de encontro da manifestação em São Paulo é a Associação Médica Brasileira (AMB) a partir das a partir das 16h. Os manifestantes devem sair em passeata rumo ao gabinete de representação da presidência da República, na Avenida Paulista.

Por Saúde Web.