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quinta-feira, 22 de março de 2012

Por que a consumerização nem sempre funciona na área de saúde?


Problemas de segurança e exibição dificultam a vida de médicos que querem usar seus próprios tablets ou smartphones no trabalho

 
Médicos adoram seus dispositivos móveis e estão, cada vez mais, demandando áreas de TI a conectarem iPads e iPhones aos sistemas de clínicas e hospitais. Mas o movimento “traga seu próprio aparelho” (Bring Your Device, BYOD, na sigla em inglês) tem seu lado negativo.

Em uma recente conversa com Mike Restuccia, CIO e VP do Penn Medicine – grupo formado por 3 hospitais e cerca de 2.200 médicos – discutimos duas preocupações: fraca qualidade de imagens e segurança.

O Penn usa o Epic Sunrise Clinical Manager no ambulatório. Quando o programa aparece em um desktop em uma estação de enfermaria, todos os dados são exibidos na tela, sem necessidade de rolagem ou dados escondidos. Quando se usa o Epic no iPad, “os dados não se encaixam na tela, é preciso rolagem e busca”.
Médicos podem deixar passar dados críticos sobre pacientes que são exibidos no canto direito da tela no desktop, mas que não aparecem na visão geral do iPad, disse ele. Isso coloca pacientes em risco se, por exemplo, esses dados forem uma lista de alergias.

Segurança é mais uma preocupação. “Oferecemos suporte a qualquer dispositivo, desde que ele esteja de acordo com nossas especificações de segurança – e com os padrões HIPAA”, explica Restuccia. Se um médico quiser trazer seu próprio dispositivo para o sistema do Penn, ele “está absolutamente proibido” de ter dados de pacientes nele, disse ele. Pense em thin-client aqui, o que significa, é claro, que o médico não poderia rodar qualquer aplicativo na máquina em si.

A política se aplica apenas a BYOD. O Penn tem diversos iPads próprios disponibilizados para os médicos. Dados de pacientes são permitidos nesses tablets porque eles têm ferramentas de gerenciamento que permitem que a TI localize e rastreie os dispositivos e, se necessário, apague dados remotamente.

Durante a conferência HIMSS, há algumas semanas, conversei com dois fornecedores de segurança móvel que trabalham com provedores de serviços de saúde: Boxtone e Absolute.

A Boxtone garante que existem vantagens em permitir que os médicos tenham dados de pacientes em seus dispositivos – com o software de segurança adequado instalado – porque configurar um dispositivo móvel assim também permite que o médico mantenha o acesso a todos os aplicativos ele normalmente teria em seu dispositivo, incluindo qualquer aplicativo médico terceirizado importante.

O que significa que ele poderia instalar o aplicativo Physicians’ Desk Reference para ficar em dia com indicações de novas drogas e seus efeitos colaterais, por exemplo, ou assinar o UpToDate, o respeitável banco de dados e ferramenta de busca médica, que pode melhorar, significativamente a qualidade de diagnósticos e tratamentos.

A plataforma de segurança da Boxtone permite que provedores de serviços de saúde configurem suas próprias políticas e procedimentos para dispositivos móveis. Oferece proteção nativa de dados, incluindo criptografia completa, senhas obrigatórias e criptografia via VPN ou WiFi. O serviço permite, também, optar por tempo de uso do dispositivo antes de pedir novamente a senha de acesso.

A plataforma também inclui a função de apagamento remoto, embora a função apague absolutamente todos os dados do dispositivo, incluindo dados pessoais do usuário, como fotos e contatos. Joel Weinshank, diretor sênior de marketing da Boxtone, disse que a empresa irá apresentar, em breve, a mesma função com opção seletiva.

Da mesma forma, a Absolute Software oferece serviços de segurança para dispositivos móveis. Além das capacidades de apagar dados remotamente, a Absolute usa a tecnologia LoJack, famosa por sua habilidade de localizar carros roubados. A Absolute instala a tecnologia em laptops, smartphones e tablets e pode localizar dispositivos roubados pela Internet usando chaves de captura, registros e escaneamento de arquivos. Uma vez localizado, a empresa trabalha com órgãos de defesa pública para recuperá-los. A plataforma Absolute Manage MDM também oferece garantia contra hackers, já que configura senhas longas e complexas e pode desabilitar, remotamente, a câmera de um dispositivo.

Assim sendo, dispositivos móveis pessoais podem ser usados em ambientes médicos? Depende da política de BYOD, do tipo de software de gerenciamento de dispositivo usado e quanto os médicos estão dispostos a sacrificar dados pessoais caso percam o aparelho.

Fonte: InformationWeek EUA; replicada pela InformatioWeek Brasi

terça-feira, 27 de setembro de 2011

10 instituições de saúde inovadoras em TI

Revista InformationWeek 500 elencou entidades de saúde consideradas referências em Tecnologia da Informação. Confira as soluções desenvolvidas 

A revista americana InformationWeek 500 apontou dez empresas de saúde que estão usando tecnologia de modo inovador para melhorar o cuidado ao paciente. Essas inovações incluem programas de monitoramento do paciente, troca de informações entre pacientes e prestadores, avaliação de desempenho de sistemas, integração de soluções, entre outros.



Confira as soluções de TI inovadoras de dez instituições de saúde:

A Realidade da Inovação

O termo “inovação” está sendo muito utilizado e abusado porque executivos de marketing perceberam que essa palavra chama a atenção das pessoas. Infelizmente, tal uso entorpece nossos sentidos, tornando difícil de reconhecer a realidade.

As dez organizações de saúde, segundo a InformationWeek, são realidade em inovação. Centene, por exemplo, desenvolveu programas únicos que utilizam análises avançadas e algoritmos para identificar os membros de alto risco em seus planos de seguro para que tenham cuidados médicos antes de perderem o controle sobre o paciente, acarretando grandes impactos financeiros.

O NewYork-Presbyterian Hospital combinou a Amalga, HealthVault e uma variedade de outras ferramentas para dar aos médicos acesso mais rápido aos dados do paciente a partir de sistemas díspares do hospital, uma “cura” que reduz a probabilidade de exames médicos duplicados.

Quando a Trinity Health desenvolveu sua plataforma Genesis Platform, concentrou-se em uma combinação integrada de aplicativos novos e legacy, uma integração que produz melhorias impressionantes em resultados clínicos. Detroit Medical Center, por outro lado, investiu uma boa parte de seu orçamento de TI em Smart Rooms, em que os dados de registros eletrônicos de saúde e os dispositivos médicos em cabeceiras de camas se comunicam de uma forma que era apenas um sonho há alguns décadas.

Beth Israel Deaconess Medical Center se foca, entre outras coisas, na segurança. Criou uma troca de informação de saúde que inclui os resumos necessários para a transferência para um hospital especializado ou para casa. Em situações como esta, o BIDMC produz  um Continuity of Care Document com instruções de alta por meio de um aplicativo de rede multidisciplinar usado por médicos, enfermeiras, assistentes sociais e gestores de caso.

Para analisar essas inovações, leia a seguir:

Beth Israel Deaconess Medical Center Junta a Inovação com a Segurança

A saúde em TI pode contribuir para melhorar a qualidade do cuidado e a tomada de decisão, mas também pode introduzir novos tipos de erros. Tendo isso em mente, o CIO do BIDMC, John Halamka, busca maneiras de assegurar que a HIT seja segura. Sua equipe trabalha com outros associados em Massachusetts para criar uma troca de informação de saúde que apoie a segurança, qualidade e eficiência. Isso inclui o resumo do pacientes no momento da transferência para uma instalação de cuidados ou para casa. Em situações como esta, o BIDMC produz um Continuity of Care Document com instruções de alta por meio de um aplicativo de rede multidisciplinar usado por médicos, enfermeiras, assistentes sociais e gestores de caso.
O BIDMC também fornece aos pacientes um CCD (Dispositivo de Carga Acoplada) quando desejam transferir dados dos registros médicos do hospital para o pessoal, tal com o Health Vault. Esses dados incluem faixa demográfica, medicações, alergias e problemas. O hospital vai além, enquanto muitos registros médicos não têm troca com anotações clínicas, o BIDMC faz a troca dessa informação por meio de seu PatientSite OpenNotes Project.

Halamka resume essa inovação de forma sucinta: “A Segurança é melhorada no compartilhamento de dados entre os fornecedores de saúde e pacientes, tornando o paciente o gerente de seus registros. Essa transparência encoraja um diálogo sobre planos de tratamento, preferências de cuidado e a precisão de dados em registros médicos”.
 Colocação Geral no ranking da InformationWeek 500: 12

Plataforma Centelligence da Centene 

O Centene lançou recentemente sua plataforma Centelligence, um programa de gerenciamento que usa uma combinação avançada de análise de algoritmos que ajudam a identificar seus membros de alto risco e entrega de dados – incluindo alertas automáticos. Os alertas servem para chamar representantes do centro, gerentes de caso, funcionários da administração médica e médicos para garantir que seus membros recebam o cuidado de saúde apropriado. Usando a Centelligence, os dados demográficos e médicos são coletados e melhorados por meio de um modelo de previsão. As técnicas de previsão, combinadas com análises avançadas, permitem que o Centene ofereça cuidado apropriado para os membros de seus planos de saúde.
Com a Centelligence, o Centene pode visualizar se um membro pegou uma receita que foi feita por um de seus médicos, um dado importante para a medida da aderência no plano de tratamento. O hospital também pede para todas as grávidas – ou seus médicos – preencher uma avaliação de risco de saúde “notificação da gravidez”, que é marcado pela ferramenta Centelligence. Essa pontuação permite que o plano de saúde coloque os membros de alto risco em um programa de gestão de processos chamado StartSmart for Your Baby, que é projetado para  atender suas necessidades especiais.
 Colocação Geral no Ranking da InformationWeek 500: 22

New York-Presbyterian Hospital Acelera acesso aos Dados

O NewYork-Presbyterian usa produtos Microsoft, incluindo o Amalga e HealthVault para ajudar os médicos com o rápido acesso às informações do pacientes de vários sistemas hospitalares. Ao mesmo tempo, usam tecnologia pra engajar os pacientes com o seu cuidado. O portal MyNYP.org da organização entrega o registro de saúde controlado pelo paciente, enquanto o aplicativo móvel NYP apresenta dados importantes do paciente para o fornecedor de saúde atuante, para auxiliar na tomada de decisões e facilitar a comunicação entre os membros da equipe. O objetivo é fornecer dados eficientes ao cuidado do paciente em qualquer local do NYP.
 Colocação Geral no Ranking InformationWeek 500 : 23

Avanços em Telemedicina do Kaiser Permanente

Incorporado em seu sistema de registros KP HealthConnect, que contém dados de 8,8 milhões de pacientes, o Kaiser Permanente está promovendo aplicativos de telemedicina, especialmente em dermatologia e ortopedia. Os médicos de cuidado primário no KP tiram fotos de alta resolução das condições da pele do paciente e as armazenam no sistema para consultas em tempo real com dermatologistas em outras localidades. Também está desenvolvendo telemedicina para consultas ortopédicas e para decisão do suporte clínico. Na região da Califórnia, a organização tem um programa piloto usando vídeo que permite aos pacientes que não falem inglês ou que usem a linguagem de sinal a se conectarem com um tradutor por meio de chama de vídeo.
 Colocação geral no Ranking da InformationWeek 500: 34

Plataforma Genesis da Trinity Health

Trinity Health desenvolveu a plataforma Genesis, que inclui 28 aplicativos de computador de nove fornecedores e conecta virtualmente todo grande centro clínico e processo de receita do hospital. Manter a plataforma em funcionando inclui a integração coreografada com os novos sistemas com múltiplos aplicativos legacy, incluindo laboratório, arquivo de imagens e sistemas de comunicação e planejamento de recursos.
Todo o trabalho valeu à pena: Genesis teve um efeito mensurável sobre o atendimento ao paciente. Sua rápida implementação levou a uma queda 44% nas taxas de mortalidade, quando comparado com dados de referência do Centers for Medicare e Medicaid Services. Em termos práticos, isso significa que mais de 2.600 vidas são salvas anualmente em todo o sistema.
Colocação geral no Ranking da InformationWeek 500: 35

Sistema Baylor Health Care e Sistema BayStats

Baylor Health Care System inicialmente implementado em um conjunto de aplicativos chamado Eclipsys – agora parte da linha de produtos Allscripts – como o marco dos registros eletrônicos de saúde, mas eventualmente percebeu que precisava de um sistema personalizado para atender suas necessidades específicas. A necessidade de um programa desse tipo surgiu porque a plataforma EHR atual foi implementada por meio de uma combinação de computadores com fio, laptops sem fio e estações de trabalho. O que tornou difícil determinar se os problemas de desempenho estão relacionados a diferenças no hardware ou software.

Para resolver esse problema, a equipe Baylor incorporou componentes existentes, incluindo o SQL Server 2008 e o código C++. NET, além da avançada capacidade low-level .NET. Com grande quantidade de dados produzidos pelo código integrado, um app de front-end é necessário para gerenciar e exibir os resultados. Baylor desenvolveu um visualizador de front-end – o visualizador BayStats – usando C++, e gráficos de controle terceirizados foram adicionados. O aplicativo resultante fornece agora gráficos de alto nível que rapidamente chega em áreas onde problemas de desempenho podem ser detectados.
Colocação Geral no Ranking da InformationWeek 500: 49

Smart Unit Detroit Medical Center

Detroit Medical Center está passando por um período de construção e renovação em seus oito hospitais, afirmou o CIO Mike LeRoy. Em março, a primeiro dos projetos foi finalizado com a abertura de uma inovadora Smart Unit (Unidade Inteligente), uma unidade de cuidado adulto de telemetria com 30 leitos. Cerca de um terço do orçamento do projeto de 3 milhões de dólares foi investido em TI, incluindo a tecnologia da Cernter, que é projetada para integrar e inovar o processo de saúde. Por exemplo, em um Smart Room (Quarto Inteligente), os dados dos registros médicos são apresentados em tempo real. Isso permite que a equipe do DMC tome melhores decisões.
Colocação Geral no Ranking da InformationWeek 500: 51

“Consumerização” das Inovações em TI do St. Joseph Health System

O St. Joseph Health System está agora na missão de “consumerização” de suas inovações de TI. Por exemplo, iPads estão sendo incorporados em negócios e operações clínicas. Até agora, 337 iPads foram distribuídos para ajudar os membros da diretoria a acessarem os aplicativos de rede projetados para diminuir a necessidade de relatórios em papel e facilitar o compartilhamento de dados. Para médicos, o SJHS está implementando uma variedade de opções em dispositivos, incluindo iPads, iPhones e BlackBerrys, dentro do hospital e com acesso remoto. Em um dos projetos piloto, os médicos podem usar os smartphones para acessar o monitoramento fetal, anotações e dados apara monitorar remotamente suas pacientes grávidas. Enquanto isso, a equipe clínica do hospital está em um projeto piloto de tecnologia wireless VoIP para comunicação hands-free.

Outras iniciativas: webcams são usadas em unidades de cuidado intensivo neonatal para fornecer “visitas virtuais” para famílias e o Skype é usado para que soldados servindo no Iraque possam participar virtualmente no nascimento dos seus bebês nos hospitais do SJHS.
Colocação Geral no Ranking da InformationWeek 500: 55

Sistema de Realidade Virtual do Lehigh Valley Burn Center

O Lehigh Valley Health Network Regional Burn Center estava explorando uma abordagem de gerenciamento da dor quando teve a ideia inovadora de um sistema de realidade virtual. Seu dasafio era encontrar uma combinação de software e hardware que oferecesse distração e alívio da dor sem o uso do capacete ou óculos de proteção que pode prejudicar o paciente com queimaduras faciais. Da mesma forma, o sistema não pode apresentar obstáculos para os pacientes que tenham mão e braço queimados, que limitam seus movimentos.

Um fornecedor foi capaz de customizar um sistema que permite a visualização da realidade virtual, suspensa por um braço articulado, que é customizado. Suspenso pelo brado, a tela tem o mínimo de contato com o paciente, e ainda fornece a imersão necessária para o ambiente virtual. O paciente entra em um mundo de RV que fornece a inserção em um mundo com neve no qual pode jogar bolas de neve, enquanto passeia pelo mundo gelado.
Colocação Geral no Ranking da InformationWeek 500: 56

PhysicianFocus da Premier

A aliança de saúde PhysicianFocus da Premier, parte de seu programa de melhoria QualityConnect, oferece aos médicos e administradores hospitalares dados com qualidade e segurança de múltiplas fontes. O programa ajuda a melhorar o desempenho clínico e apoia os esforços de avaliação ao apontar variantes, processos de avaliação, e apoio ao Ongoing Professional Practice Evaluation, o programa da Joint Commission que mede a competência clínica e comportamental de um profissional. O PhysianFocus fornece métricas de resultados clínicos que podem ajudar a identificar variações nos cuidados clínicos e monitorar a qualidade contínua, a eficácia e o impacto dos esforços de melhoria.

Com essa ferramenta em funcionamento, os profissionais podem retirar dados do pacientes para ajudar a reduzir a mortalidade, complicações – inclusive infecções – , readmissões e reduzir o tempo de internação do paciente. O programa também oferece aos administradores do hospital visualização online, impressão dos dados necessários para medir a produtividade, redução dos custos, receita e satisfação do cliente.
Colocação Geral no Ranking da InformationWeek 500: 59

Tradução: Alba Milena, especial para o Saúde Business.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Mercado Wi-Fi de Saúde deve atingir US$ 1,3 bilhões até 2016

O mercado para serviços de saúde Wi-Fi vai atingir US$ 1,34 bilhões até 2016, segundo um novo relatório da ABI Research intitulado “Wireless Technologies in Professional Healthcare. De acordo com a pesquisa, Voice over Wi-Fi e RTLS (sistemas de localização em tempo real) vão se unir às “redes da área médica” (MBANs), que utilizam Wi-Fi em dispositivos móveis de monitoramento.

Cerca de 30 milhões de dispositivos de saúde MBAN serão lançados no mundo por ano até 2016. O relatório também aborda o crescente mercado de dispositivos para o consumidor com Wi-Fi incorporados, como os oferecidos pela BodyMedia e Fitbit, que irão entrar cada vez mais em ambientes profissionais.

“A ABI Research prevê que o número de dispositivos de smartphones e dispositivos de mão de profissionais de saúde vão crescer 20% em 2011”, afirmou o analista da ABI, Jonathan Collins, em um comunicado de imprensa.

O Wi-Fi já foi amplamente adotado nas unidades de saúde da América do Norte, mas a expansão de redes existentes e a adoção crescente de Wi-Fi em outras regiões do mundo garantirá que o mercado de hardware, software e serviços crescerão para US$ 1,34 bilhões de dólares em 2016.

Os principais fornecedores de infraestrutura Wi-Fi, incluindo a Cisco, Aruba e Motorola estão focados no potencial de Wi-Fi na área de saúde. Estas empresas irão beneficiar os clientes e não só construir as suas redes, mas também ajudar os fornecedores e seus parceiros a se estabelecerem para fornecer gerenciamento de redes e o crescente número de aplicativos que irá alavancar a conectividade.

Tradução: Alba Milena, especial para o Saúde Business. Por InformationWeek, Chris Gullo.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Tabagismo como problema de saúde.

BRATS
Boletim Brasileiro de Avaliação de Tecnologias em Saúde.

desde tempos imemoriais. Os europeus disseminaram o uso do tabaco fumado (cachimbos, charutos, cigarrilhas, cigarros) e não-fumado (aspirado - rapé e mascado - fumo-de-rolo) por todos os continentes antes do final do século XVII, por razões econômicas e pelo caráter aditivo do consumo deste produto vegetal1.
No final do século XIX, o mercado de cigarros era pequeno, em razão de seu alto preço, pois sua fabricação era manual. O aperfeiçoamento das máquinas de fabricação de cigarros no início do século XX tornou-os baratos e acessíveis2. O consumo de cigarros se expandiu desde este período, porém com mais intensidade a partir da década de 50, quando as técnicas de publicidade se desenvolveram mais amplamente3.
As sofisticadas estratégias de marketing das grandes companhias transnacionais de tabaco criaram, por meio da associação do hábito de fumar com sucesso, luxo, juventude e até saúde, uma aceitação social do hábito de fumar e um contexto favorável à expansão do consumo dos produtos de tabaco4. A relevância dessas estratégias de marketing na promoção da expansão do consumo de tabaco em escala mundial fez a Organização Mundial da Saúde - OMS considerar o tabagismo uma doença transmissível pela publicidade5,6.
A diminuição do consumo de tabaco, sobretudo de cigarros, nos países desenvolvidos, em razão da adoção de políticas de controle do tabagismo, tem provocado um deslocamento da atuação das grandes companhias transnacionais de tabaco em direção aos países pobres e em desenvolvimento7. Em consequência, o consumo global de produtos do tabaco aumentou cerca de 50% durante o período de 1975 a 1996, às custas do crescimento do consumo em países em desenvolvimento, como China - 8%, Indonésia - 6,8%, Síria - 5,5%, e Bangladesh - 4,7%4.
Há fortes evidências de que o tabagismo é um significativo fator de risco para quase 50 doenças diferentes, destacando-se as cardiovasculares, o câncer e a doença pulmonar obstrutiva crônica – DPOC1,8. Estima-se que 45% das mortes por doença coronariana, 85% por DPOC, 25% por doença cerebrovascular e 30% por câncer podem ser atribuídas ao tabaco8. No estudo de coorte da Sociedade Americana de Câncer, Cancer Prevention Study II (CPS-II), observou-se um risco de morte prematura por qualquer causa entre os fumantes 2,3 vezes maior do que entre os não fumantes. Neste mesmo estudo, demonstrou-se um risco relativo de morte entre fumantes em comparação a não fumantes de 1,9 para doença isquêmica do coração, 1,9 para doença cerebrovascular, 23,2 para câncer de pulmão e 11,7 para DPOC9. Resultados semelhantes foram observados em um estudo de coorte de médicos britânicos seguidos por 50 anos10.
Lickint (apud Baldisserotto, 2007)2, na Alemanha, foi o primeiro a demonstrar, em 1929, uma associação estatisticamente significativa entre câncer de pulmão e tabagismo, com base em uma série de casos. Estudos de caso-controle realizados na década de 1950 demonstraram conclusivamente uma relação causal entre o fumo e o câncer de pulmão (Doll e Hill, 1950; Levin, et al., 1950; Schrek, et al., 1950; Wynder e Graham, 1950; apud Figueiredo, 2007)3. Além do câncer de pulmão, há evidências suficientes para inferir uma relação causal entre o fumo e os seguintes tipos de câncer: boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, bexiga, rim, colo do útero e leucemia mielóide aguda11.
A exposição involuntária de indivíduos não fumantes à fumaça do tabaco em ambientes fechados – tabagismo passivo - causa doenças e mortes prematuras em adultos e crianças. O tabagismo passivo está associado a uma incidência aumentada de câncer de pulmão e de doença arterial coronariana em adultos, e transtornos respiratórios
em crianças1,3,12. A exposição fetal passiva pode resultar em parto prematuro e baixo peso ao nascimento, além de aumentar o risco de síndrome da morte súbita na infância11,12. Crianças que convivem com pais fumantes ou que estão expostas à fumaça ambiental do tabaco apresentam um risco aumentado de exacerbação de episódios de asma, infecções respiratórias agudas e afecções do ouvido médio12.
O conhecimento da nicotina como substância aditiva, com efeitos típicos das drogas causadoras de dependência, como tolerância, fissura e sintomas de abstinência, foi fundamental para a compreensão dos motivos da rápida expansão do uso do tabaco e das dificuldades enfrentadas pelos que desejam parar de fumar13. A OMS classifica o tabagismo entre os transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substâncias psicoativas14.
O hábito de fumar tabaco tende a se estabelecer durante a adolescência. A maioria dos fumantes inicia o consumo de cigarros antes dos dezenove anos. Nos países em desenvolvimento, a idade de início deste hábito tende a ser ainda menor, ocorrendo em torno dos doze anos15,1.
BRATS Boletim Brasileiro de Avaliação de Tecnologias em Saúde 3
Fatores sócio-culturais, sócio-demográficos, comportamentais e pessoais estão associados ao início e à manutenção do uso do tabaco. Entre os principais fatores sócio-culturais, que aumentam o risco dos adolescentes
tornarem-se fumantes, estão a acessibilidade, a exposição à propaganda e à mídia a favor do tabaco, o tabagismo dos pais, irmãos e amigos. Entre os fatores sócio-demográficos estão o baixo nível sócio-econômico e morar somente com um dos pais. Os principais fatores comportamentais associados ao tabagismo são o baixo desempenho acadêmico, a propensão a comportamentos de risco, outros problemas comportamentais, a falta de capacidade para resistir à influência para fumar, a intenção de fumar e experimentação; enquanto os principais fatores pessoais recaem na baixa percepção de risco, na baixa autoimagem, na baixa autoeficácia e na depressão15.
Apesar da difusão dos conhecimentos sobre os danos à saúde e do risco à vida associados ao tabagismo, a cessação do tabagismo continua como uma decisão difícil para muitos indivíduos. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD - referiu que 45,6% dos fumantes tentaram parar de fumar nos doze meses anteriores à data da entrevista, na população de quinze anos de idade ou mais16. Inquérito conduzido nos Estados Unidos da América (EUA) mostrou um percentual bastante semelhante de tentativa para parar de fumar entre os fumantes diários (46,4%), mas indicou que somente 13,8% deste grupo (5,7% de todos os fumantes) mantiveram a cessação do hábito por pelo menos um mês17.
A cessação do tabagismo reduz consideravelmente o risco de adoecimento e de morte precoce, mesmo em idades avançadas. Uma revisão de estudos com desenhos diversos acerca dos benefícios da cessação do tabagismo, realizada nos EUA, mostrou que indivíduos que pararam de fumar antes dos 50 anos apresentaram uma redução de 50% no risco de morte por todas as causas nos 16 anos subseqüentes, ocorrendo uma equiparação com a mortalidade de não fumantes aos 64 anos18. Doll et al. (2004)10, em um estudo de coorte de médicos britânicos, demonstraram que parar de fumar com aproximadamente 60, 50 e 40 anos, e antes da meia-idade, representou um ganho de cerca de 3, 6, 9 e 10 anos de expectativa de vida, respectivamente.
Várias estratégias de cunho populacional podem ser utilizadas para estimular a prevenção da iniciação e para a cessação do tabagismo. Dentre estas se destacam as ações de comunicação social, utilização da mídia, campanhas e programas de educação em saúde, ações legislativas e econômicas. Dentre as ações direcionadas ao auxílio individual para a cessação do tabagismo, estão incluídas as estratégias voltadas para o tratamento clínico do paciente, como o aconselhamento profissional e a farmacoterapia.
Este boletim tem como objetivo responder às seguintes questões relacionadas ao tratamento clínico para cessação do tabagismo: 1) Existe diferença de eficácia na cessação do tabagismo entre o tratamento combinado aconselhamento + farmacoterapia em relação ao tratamento com farmacoterapia isolado? 2) Existe diferença de eficácia na cessação do tabagismo entre o tratamento combinado aconselhamento + farmacoterapia em relação ao aconselhamento isolado?

O Boletim BRATS Edição Nº 12 pode ser acessado através do link: http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/024c1d80430b6cdfa54cb7536d6308db/brats+12.pdf?mod=ajperes