Categorias se reuniram com Alexandre Padilha para tentar influenciar decisão de Dilma Rousseff, mas não houve consenso
Médicos e demais profissionais de saúde não se entendem a respeito do
Ato Médico, como ficou conhecido o projeto de lei que regulamenta a
medicina. Para os primeiros a proposta aprovada no Congresso é uma
vitória, enquanto para as outras 13 categorias da área da saúde
representa um retrocesso.
Todas as categorias da área de saúde estiveram no fim da tarde de
quarta-feira (03) em reunião com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha,
para levar suas demandas e tentar influenciar a decisão da presidente.
Os profissionais não médicos pedem que Dilma Rousseff vete alguns
pontos da proposta. O principal ponto de divergência, do qual as 13
categorias da área de saúde não médicas discordam, é o Inciso 1º do
Artigo 4º, que atribui exclusivamente aos médicos o diagnóstico de
doenças, ponto que, para os médicos, é a essência da lei.
“Se for aprovado o Ato Médico como está, quando você tiver querendo
fazer uma reeducação alimentar, você vai primeiro ter que ir ao médico,
antes de ir ao nutricionista. Se estiver angustiado, vai ter que
primeiro ir a um médico, em vez de ir a um psicólogo”, disse Fernanda
Magano, da Federação Nacional de Psicologia.
De acordo com Luiz Roberto d’Ávila, presidente do Conselho Federal de
Medicina (CFM), a população sempre vai ter liberdade de ir ao
profissional que quiser. “As pessoas que querem procurar um
fisioterapeuta, não vai ter médico na porta do consultório do
fisioterapeuta impedindo ou denunciando o profissional”, disse d’Ávila.
Para Márcia Krempel, presidente do Conselho Federal de Enfermagem, a
aprovação do Ato Médico na íntegra afeta principalmente a área de
prevenção de muitos programas de saúde do governo. “Um dos incisos diz
que todo procedimento abaixo da pele precisaria de prescrição médica,
isso por analogia vai afetar a questão da vacina, então para vacinar
você precisaria consultar um médico, caso o projeto seja aprovado”,
alertou a enfermeira.
Para o presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Geraldo
Ferreira, a questão da vacina não seria afetada. “[A vacina] é um
procedimento técnico, [o que os enfermeiros estão falando sobre a
vacina] é um conjunto de mentiras para deturpar a realidade.”
A lei que regulamenta a enfermagem diz que os profissionais podem
diagnosticar e prescrever, desde que estas ações sejam designadas aos
enfermeiros por meio de programas de saúde pública. Há programas
prevendo que enfermeiros podem diagnosticar doenças como hanseníase,
malária, tuberculose, entre outras. Para Ferreira, da Fenam, eles não
estão preparados para isso.
Na avaliação das entidades médicas, o que
muda com a proposta, que ainda vai passar pela avaliação da presidenta
Dilma Rousseff, é que os médicos não vão mais admitir programas de saúde
sem a presença de um profissional da medicina. Depois de reunião como o
ministro da Secretária-geral da Presidência da República, Gilberto
Carvalho, Roberto d’Ávila disse aos colegas de profissão que está
otimista e que acha que o projeto será aprovado na próxima segunda ou
terça-feira. A presidenta tem até o dia 12 para vetar ou sancionar o
projeto.
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